SUMMER READING LIST

Fiction:


AN AMERICAN MARRIAGE

by Tayari Jones

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One of the books I enjoyed reading the most this summer. It was Martin who read it first and then recommended it to me. It's a book about love, loyalty, injustice and of course about the intricacies of a marriage. Just to give you an idea of the narrative, the book tells the story of a newly married African-American couple in which the husband is unjustly sentenced to 12 years in prison. Not exactly an action-packed read but certainly rich in emotion. It is impossible for the reader not to feel the characters' pain, the author paints a very honest portrait of what goes on inside them. This book made me a little angry towards the system and sometimes the characters' choices. Still, because the author writes in the voice of the three main characters unravelling with precision each of their thoughts, I ended up understanding those same choices. As I read it, I found myself often wondering what would I do in their place.

Foi o Martin quem primeiro o leu e mo recomendou. É um livro sobre a condição humana, sobre o amor e, claro, sobre as complexidades de um casamento. Só para vos dar uma ideia da narrativa, o livro conta a história de um casal Afro-Americano recentemente casado em que o marido é injustamente condenado a 12 anos de prisão. Não é propriamente uma leitura cheia de acção mas certamente rica em emoção. É impossível o leitor ficar indiferente à dor dos personagens porque a autora pinta um retrato muito honesto daquilo que lhes vai dentro. Foi um livro que me deixou um pouco revoltada com o sistema e, por vezes, com as escolhas dos personagens. Ainda assim, como a autora escolhe escrever na voz dos três protagonistas, desvendando exactamente os pensamentos de cada um deles, fiquei a entender o porquê dessas mesmas escolhas. Enquanto o lia, dei por mim muitas vezes a perguntar-me o que faria eu no seu lugar.


ANIMALS

by Emma Jane Unsworth

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Animals focuses on the friendship between two young women. I am not a fan of describing this type of book as "girly" or "chick lit". I think those are very reductive terms for a work of this magnitude. The author can blend light and funny moments with others of extreme sadness. The protagonists like to party like there's no tomorrow, there are a lot of alcohol and drugs involved, as well as situations which are both fucked up and hilarious, such as robbing a drug dealer or having to wash the cash used to consume cocaine after a hardcore night out. Despite their chaotic lifestyle which I don't relate to but enjoy immersing myself into, certain parts felt highly relatable to me. One of the protagonists works in a call-centre (as I have done too) to support her dream of becoming a writer. She is the typical good student who has completed college with a first honours degree and now suffers from anxiety and isn't sure what to do with her life, sounds familiar to many, right? Ultimately this is a book about choices, I found myself on every page praying that they would make the right one. AlthoughI didn't always relate to their world, the book translates very well how chaotic growing up is.

Animals foca-se na relação de amizade entre duas jovens raparigas. Eu não sou fã de intitular este tipo de livros como “girly” ou “chick lit”. Acho que são termos redutores para uma obra desta grandeza. A autora tem a mestria de balançar momentos leves e engraçados com outros de extrema tristeza. As protagonistas gostam de festa como ninguém, há muito álcool e drogas à mistura, assim como situações que são simultaneamente maradas e hilariantes, como roubar uma traficante de droga ou ter de lavar as notas usadas para consumir cocaína depois de uma noite louca. Apesar o estilo de vida caótico de ambas com o qual não me identifico mas que me dá uma prazer imenso descobrir, consegui identificar-me com elas muitas vezes. Uma das protagonistas trabalha num call centre (como eu já trabalhei) para sustentar o sonho de ser escritora. Ela é a típica boa aluna, que completou a faculdade e agora sofre de ansiedade por não saber bem que caminho seguir, soa familiar a muita gente, não soa? No fundo é um livro sobre escolhas, dei por mim a rezar em cada página para que as protagonistas fizessem as decisões certa. A obra simboliza muito bem o quão caótico é crescer.


TEORIA GERAL DO ESQUECIMENTO

by José Eduardo Agualusa

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It makes me so proud that this book, written in my mother tongue, has won the Dublin Literary Prize in 2017. I am a big fan of Agualusa and I have always felt drawn to stories set in the country he calls home, Angola. Even though it has won awards I feel like this book is not very well known in the UK so I decided to include it in this list since it's translated. However, there is nothing like reading it in Portuguese, I didn't realise how much I missed the beauty of my language until the moment I started devouring this book and couldn't put it down. In it, we see Angola's journey through the revolution and civil war until, finally, being at peace (is any country ever truly at peace though?). What makes this book so special, is that we see all this happening through the eyes of a Portuguese woman who barricaded herself in an apartment on the top floor of a luxury building and lived there alone for over thirty years. As far as I know, the story is based in real facts, but I'm not exactly sure what's real or not and that makes it even more intriguing. The chapters are short but at times, I felt the need to set the book aside when I finished one. Agualusa's words are so beautiful that I found myself slowing down so that I could relish every single sentence.

É sempre motivo de orgulho quando um livro escrito na minha língua mãe ganha o Dublin Literary Prize. Eu sou fã do Agualusa e tenho um fascínio por tudo o que são histórias passadas no país dos seus pressentimentos, Angola. Eu sinto que este livro não é muito conhecido aqui por Londres por isso decidi incluí-lo nesta lista uma vez que está traduzido para Inglês. No entanto, não há nada como o ler na língua de Camões, no momento em que comecei a devorar este livro não consegui parar. Nele vemos a viagem de Angola pela independência, pela guerra civil até chegar finalmente à paz (estará alguma vez aquele país verdadeiramente em paz?). O que é caricato é que vemos tudo isto acontecer pelos olhos de uma mulher portuguesa que se barricou no seu próprio apartamento localizado no ultimo andar de um prédio luxuoso onde viveu sozinha durante mais de trinta anos. Segundo sei a história é baseada em factos reais, mas nunca se tem a certeza do que é real ou não e, honestamente, também não interessa. Os capítulos são curtos mas requerem que pousemos o livro de cada vez que os terminamos. O tear das palavras de Agualusa é tão bonito é necessário abrandar a leitura para poder saborear cada momento.


ONE DAY

by David Nicholls

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This book is not new to many people, especially if you are a UK resident. David Nichols is a sweetheart of the nation. I only read One Day a couple of months ago after listening to a podcast with the author. It's one of those books that immediately makes me take my hands to my heart whenever I talk about it, it's that special. The book is called One Day because, rather than focussing on important days like weddings, funerals, etc, it addresses random moments throughout the life of the two protagonists. But in the end, what the reader realises is that, every day is special in its own way. I don't remember ever crying so hard while reading a book. This is 100% my type of literature, you know I'm a fan of emotional books and this one is for sure one of my favourites.

Este livro não é novidade para muita gente, especialmente para aqueles que residem no Reino Unido. David Nichols é um, como se diz aqui, sweetheart da nação. Li-o pela primeira vez este ano depois de ouvir um podcast com o autor. É daqueles livros que, de cada vez que me referido a ele, me causa a reacção imediata de levar as mãos ao peito de tão especial que me é. O livro chama-se One Day porque ao invés de se focar em acontecimentos especiais ao longo da vida dos protagonistas, concentra-se em dias aliatórios sem grande aparente importância. Mas o que no final o leitor se apercebe é que, afinal, todos os dias são especiais. Não me lembro de alguma vez ter chorado tanto a ler um livro. Este é 100% o meu tipo de literatura preferido, não é novidade nenhuma que eu sou uma adepta de livros emotivos e este já faz parte do meu top 10.


Non-Fiction:


THE STATE OF AFFAIRS, RETHINKING INFIDELITY

by Esther Perel

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This book has been living on my bedside table for more than a year because, as you know, I'm always more drawn to fiction. I decided to give it a go after seeing the Portuguese comedian Diogo Faro raving about it on his Instagram. I can guarantee you that most couples would have healthier relationships if they gave this book a go. It's deeply interesting to dive into the psychology of marriage and the stories we tell ourselves. It's a book that tears apart fairy tales and the idea of a happily ever after. No matter at what stage you are in your life this is a very useful read. The author unveils decades of couples therapy and invites the reader to peek at the sessions with them. What the author reveals is that the concept of infidelity is not a one size fits all, it comes in many forms. Even though stats say that more than 80% of couples experience it, there is not a right or wrong way of dealing with it. The cases she presents makes us consider all sides and find various solutions. But more importantly, she reinforces how fundamental is to have tough conversations, be vulnerable, honest, have compassion and face our problems before they swallow us.

Já tinha este livro há mais de um ano na mesinha de cabeceira, mas como sabem muito mais facilmente pego numa obra de ficção do que em algo deste género. Ficou em lista de espera até ver o comediante Diogo Faro se referir a ele no Instagram. A maior parte das relações amorosas seriam muito mais saudáveis se mais pessoas lessem este livro. É interessante mergulhar na psicologia do casamento moderno e nas histórias que contamos a nós próprios. É um livro que desmonta a ideia do conto de fadas e do felizes para sempre. Estejas em que fase da vida estiveres é uma leitura muito útil. A autora desvenda décadas de experiência em terapia de casal e convida o leitor a espreitar as suas consultas. A autora revela que a o conceito de infidelidade é volátil, apresenta-se de várias formas e não há uma fórmula certa ou errada de lidar com este fenómeno que, segundo as estatísticas, mais de 80% dos casais experiencia. A variedade de casos apresentados pela psicóloga faz-nos considerar todos os lados e sugere diferentes soluções. Sendo que uma das coisas que ela mais evidencia é o quão é importante ter conversas difíceis, propormo-nos a ser vulneráveis, a comunicar verdadeiramente, a ter compaixão pelo nosso parceiro e a enfrentar os problemas pela frente antes que eles nos engulam.


THE BOOK YOU WISH YOUR PARENTS HAD READ (and Your Children Will be Glad That You Did)

by Philippa Perry

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I have sent this book to three of my friends who have young kids. I am not a mother but still I've found this book incredibly interesting, it's bout relationships ultimately. I don't usually venture into these kinds of subjects, but the truth is that we all need to know ourselves a little better, to look inward, and the hours spent reading these kinds of books force us to do exactly that. The author emphasises that to be a good parent, one has to invest in one's own knowledge, uncover memories, and understand that the way we were brought up affects our parenting massively. It's a book that made me understand a bit better both the children around me and the child I was. Society, in general, does not encourage us to look at things from the child's perspective, we sometimes end up diminishing their feelings and saying things like 'don't cry little one' thinking that we are comforting them when in fact we are not validating their feelings and basically telling them their impulses are wrong. This emotionally incapacitated society in which we live is a consequence of these small actions, I believe. This book might cause you some pain because it will force you to go deep. Nevertheless is a very forgiving piece and Philippa constantly reinforces that there is no perfect parenting but also that is never too late to make amends.

Enviei este livros para três amigas minhas que têm filhos pequenos. No entanto, eu não sou mãe e também achei este livro incrivelmente interessante, é sobre relações no fundo. Eu não me costumava aventurar muito por obras deste género mas a verdade é que todos nós precisamos de nos conhecer um bocadinho melhor, de olhar mais para dentro e as horas passadas a ler este tipo de matérias obrigam-nos a fazer isso mesmo. A autora enfatiza na sua obra que, para se ser um bom pai, há que investir no conhecimento próprio, destapar memórias e perceber que a forma como fomos educados consequentemente impacta a forma como lidamos com as nossos pequeninos. É um livro que me fez entender melhor as crianças à minha volta e a que eu fui. A sociedade no geral não nos encoraja a ver as coisas da perspectiva da criança, acabamos por muitas dizer “não chores pequenino”, pensando que o estamos a confortar quando afinal estamos é a desvalorizar o seu sentimento e, basicamente, a dizer-lhe que o seu impulso está errado. É um livro que causa alguma dor porque nos obriga a ir fundo. Ainda assim, mesmo que tenhamos cometido erros, a autora reforça constantemente a ideia de que não há como praticar uma educação perfeita e que há sempre oportunidade de reparar o que correu mal.


CALYPSO

by David Sedaris

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I'm a big fan of David Sedaris. If you don't know him, I'm sure you'll love him too. I devour all the interviews and podcasts with this comedy and literary genius. He has an amazing ability to turn everyday stories into very interesting pieces. It's hard to write humour and translate stand-up comedy timing onto the page, but Sedaris does it like no one else. He makes the reader laugh about all kinds of subjects, religion, alcoholism, Trump, suicide, love and ageing are some of them. His writing is very different, he is weird and sometimes absurd. However, the love he has for his family, which is so evident throughout these pages, also allows the reader to see his human side. The honesty with which Sedaris writes is praiseworthy and is what binds us to the page. I'm his number one fan and I'd love to challenge you all to give Calypso a chance because it's one of the best autobiographical works I've ever read.

Eu sou super fã do David Sedaris. Se não o conheces, tenho a certeza que o vais amar também. Consumo tudo o que é entrevistas e podcasts com este génio do humor e da literatura. Ele tem uma capacidade incrível de tornar histórias corriqueiras em textos interessantíssimos. É difícil escrever humor e transportar o timming de stand up comedy para a página, mas Sedaris fá-lo como ninguém. Faz o leitor rir sobre todo o tipo de assuntos, religião, alcoolismo, Trump, suicídio, amor e envelhecimento são alguns deles. A sua escrita é muito diferente, ele é estranho e por vezes absurdo. No entanto, o amor que tem pela sua família e que é tão evidente ao longo destas páginas, faz com que o leitor também tenha oportunidade de ver o seu lado humano. A honestidade com que Sedaris escreve é de louvar e é o que nos prende à página. Sou sua fã número um e aconselho-vos a aventurarem-se pelo seu Calypso porque é sem dúvida uma das melhores obras auto biográficas que já li.


TO THROW AWAY UNOPENED

By Viv Albertine

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I read this book last year but wanted to include it in here because I found it absolutely beautiful. Once again, it's one of those brutally honest books. In an era where Instagram feeds represent a perfect version of our lives, I always end up being drawn to books where the good, the bad and the worst are also revealed. After they both past away, the author has the opportunity to read her parents' diaries where they describe the years before their divorce. That process makes her question her memories. She addresses family dysfunctions and reflects on why she is the way she is. It’s a book that I found deeply moving and that has proved me that only by being vulnerable do we allow ourselves to connect and cultivate the ingredient our society most lacks: compassion.

Li este livro o ano passado mas quis incluí-lo aqui na mesma porque me marcou muito na altura. Mais uma vez é uma obra onde impera a honestidade. Numa era onde os feeds do Instagram representam uma versão perfeita das nossas vidas eu acabo por me agarrar a este tipo de livros, onde o bom, o mau e o péssimo também são revelados. Depois da morte de ambos, Albertine tem a oportunidade de ler os diários dos seus progenitores onde estes relatam os anos que antecederam o seu divórcio. É um livro que aborda disfunções familiares, e que faz a autora reflectir sobre o porquê de ela ser como é. Comoveu-me muito e provou-me que ao sermos corajosamente vulneráveis permitimo-nos a conectar uns com os outros e a cultivar o sentimento de que mais carecemos hoje em dia, a compaixão.


Thank you for reading / Obrigada pela visita.

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